quarta-feira, 15 de novembro de 2017




 
Paulo Martins é bacharel em administração de empresas e cursa Jornalismo na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.




VOTO CASADO
A coligação Vontade Popular (PMDB, PFL, PP e PRP) difunde junto ao eleitorado do Rio Grande do Norte a idéia do “voto casado”. O objetivo é vincular cada voto dado ao candidato a governador, Garibaldi Filho, do PMDB, a Rosalba Ciarlini, candidata do PFL ao Senado da República.
PMDB e PFL tentam reeditar a fórmula de 1998, quando Fernando Bezerra foi eleito como “o senador de Garibaldi”, conquistando um mandato 8 anos. A coligação acredita que o projeto pode dar certo. Em recente pesquisa do IBOPE, Rosalba despontou com 29 por cento, empatando com o senador Fernando Bezerra (PTB). Ela começou a campanha atrás do candidato ao senado, Geraldo Melo (PSDB), em 3º lugar.
Na coligação Vitória do Povo (PSB, PTB, PT, PL, PPS, PHS, PMN e PC do B), a governadora Wilma de Faria, do PSB, também procura um casamento eleitoral. Sua assessoria tenta vincular Wilma ao presidente Lula da Silva, candidato do PT à reeleição. Lula tem 66 por cento de intenção de votos, no Estado, enquanto Wilma conta com 41 por cento, oito atrás de Garibaldi.
Enquanto isso, o candidato à presidência da República, Geraldo Alckimin, do PSDB, com apenas 30 por cento nas pesquisas, sobra para “titio” no RN. Por aqui, falta quem queira ao menos “ficar” com Alckimin. Nem mesmo o peessedebista Geraldo Melo faz campanha em favor do seu xará.
A menos de 30 dias das eleições, resta saber com quem os convidados (eleitores) querem celebrar as bodas e quem será deixado no altar.

1º TURNO
Dos 20 estados, pelas pesquisas, em 19 as eleições podem ser decididas no 1º turno. Aqui no Rio Grande do Norte, de acordo com recente pesquisa do Ibope, Garibaldi Filho venceria as eleições com 49 por cento, contra 41 da governadora Wilma de Faria.  

QUANTO É
A militância wilmista está eufórica com uma pesquisa divulgada pela revista IstoÉ/Instituto Databrain, que coloca a governadora Wilma de Faria com 41,6 por cento contra 40,5 do senador Garibaldi Filho. Os garibaldistas põem em xeque a pesquisa publicada pela IstoÉ. Lembram que a revista publicou recentemente denúncia contra Garibaldi, supostamente patrocinada pelo sistema governista. E rotulam a publicação de “quanto é?”    

EDUCAÇÃO
Em Governador Dix-sept Rosado, alunos da Escola Estadual Manoel Joaquim freqüentam aulas no Centro de Formação Profissional São José, pertencente à Igreja Católica. O governo do Estado alega não dispor de recursos para recuperar a escola, interditada pelo Corpo de Bombeiros por oferecer risco à integridade física de funcionários e alunos. 

CRUZADA
A Igreja Evangélica Assembléia de Deus promoverá, de 18 a 23 deste mês, a XI Cruzada Mossoró para Cristo. O pastor Gilmar Santos, de São Paulo, pregará nos três dias finais do evento, em concentrações realizadas no Largo do Ferro de Engomar (Bairro Santo Antônio).

MOVIMENTO
O missionário José Maria Alves, da Paróquia de Santa Luzia, coordena movimento dos moradores do Bairro Ilha de Santa Luzia, que querem impedir as constantes interdições da Avenida Presidente Dutra. Segundo José Maria, os moradores do bairro são prejudicados no direito de ir e vir, quando são realizadas carreatas naquela avenida, principal via de fluxo do trânsito da Ilha.


 Escrito por Paulo Martins às 20h08
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Crônica
Meu ponto fraco é o trânsito
Paulo Martins
Vou confessar uma coisa. Sempre desejei ser uma pessoa educada, de fino trato nas relações. Almejei ser um cavalheiro. Reconheço, nunca consegui. Mas até hoje me esforço. Vivi a minha infância no meio rural, convivendo com o homem rude, a camponesa, o agricultor, que tem um estilo de vida todo peculiar. Meu avô, por exemplo, era um deles. Faca-peixeira na mão direita enfiava a mão esquerda no bolso, tirava um pedaço de fumo, picava uma pequena quantidade. Envolvia a substância num papel, que virava um pequeno cilindro. Estava pronto o cigarro. Ele fumava por alguns minutos, depois o apagava e colocava-o preso à orelha, olhar no horizonte. E interrompia um breve silencio. “Meu filho, vou lhe dizer uma coisa: respeite os mais velhos... Estude pra você ser alguma coisa na vida, pra ter educação...”.
Por falta de conselho não foi. Mas, repito, não consegui ser esse homem polido. E vou contar outra: se tenho um ponto fraco, esse é o trânsito. Quando saio de casa cedo, para cumprir a rotina de mais um dia, ao pensar no caos do trânsito, já fico tenso. Homens e mulheres dentro daquelas máquinas de aço indo e voltando, todos querendo chegar primeiro, querendo preferência, prioridade. E eu sou um deles.       
Se o trânsito aborrece, imagine ouvir aqueles palpites batidos. “Tenha paciência. Aqui é assim mesmo: você precisa dirigir por você e pelos outros”. Resmungo com meus botões: “Você me disse uma grande novidade. Bah!”.
Pode até alguém achar, que sou pavio curto, que me aborreço com qualquer coisa. Mas, garanto, não sou um “tolerância zero”.
Parece, contudo, que querem provar o limite da nossa paciência. Tenho muitas experiências nesse sentido. Lembro de um belo domingo, dia ensolarado, bandeiras nas ruas, eu voltava para casa com minha esposa e minhas filhas. A seleção brasileira vencera e havia uma barreira, na subida da ponte para a grande avenida, onde os torcedores comemoravam. “Mas minha casa fica a dois minutos daqui. É o caminho mais próximo”, dirigi-me ao guarda de trânsito. “Lamento, mas o senhor terá que seguir pela outra avenida”, replicou o policial. Recebi o “conselho”, segui pela avenida indicada. Poucos metros da minha casa, nova barreira. Insisti e o guarda deixou-nos passar. Para nossa angústia, dois carros estavam estacionados na entrada da garagem. Um atrás do outro. O relógio marcava 12
horas. Duas filas paralelas, uma em cada lado, formaram-se na pequena rua. O nosso veículo faria uma terceira, quase do meio daquela via. Os donos dos carros os tiraram do local somente às três da tarde, quando perceberam que eu, cansado, entrei em casa. Foi demais.
Às vezes, tenho a impressão que algumas pessoas têm necessidade de exercer autoridade sobre as outras. O ego exige que alguém, de algum modo, dependa delas. Parte dessas pessoas se realiza no trânsito, na direção de um carro.     
Se eu pensava ter sido provado no limite da paciência, estava redondamente enganado. Outro dia, parei em frente a uma agência bancária. Fiz um saque no banco e voltei. Seria mais um teste. Um motorista estacionou o carro colado na porta do meu, de modo que era impossível abri-la sem que ele o tirasse do local. Na porta do lado direito não havia fechadura. Então, alguém sabendo que o proprietário do carro era bancário, foi chamá-lo. Muito “solícito” ele mandou dizer que somente viria depois do expediente. Então só me restou uma saída, Ou melhor, uma entrada. Pela mala do carro. Lá estava eu entrando no carro pela traseira. Menino, juntou gente, muita gente para ver a cena.   
No trânsito é assim mesmo, as pessoas se revelam, muitas coisas acontecem.
Há situações no trânsito em que deixamos escapar o preconceito que temos dentro de nós.
Outro dia, para variar, estou atrasado. Agenda cheia, sigo para mais um compromisso. O carro da frente segue devagar. Ligo a seta, puxo o meu para a esquerda, seu condutor me imita. Procuro passar pela direita, o motorista me fecha. Eis que na frente dele, tem um carro no acostamento, que o deixa preso e eu passo feliz da vida. “Taí o que você queria seu velho”, desabafo sem que o meu “obstáculo” possa ouvir, porque o vidro está fechado. Minha esposa que vai comigo, diz: “Tenha calma, homem”.  E completa. “Era uma mulher”. Pra falar a verdade, até já tinha percebido, e gostaria de dizer a mesma coisa. “Tinha que ser uma mulher”. Sob aquele clima de aborrecimento parece que até “um motorista machista” se revela. Silenciosamente eu comemorava. “Ela admitiu. É uma mulher”. E eu vibrei. “Iuuhuu!”
Depois de tantas experiências, algumas vezes me flagrei fazendo coisas semelhantes no trânsito. Ora guiando o veículo de forma lenta demais, ora me excedendo na velocidade, passando o sinal no vermelho, estacionando onde não devia. Foi aí que percebi que, em certas ocasiões, também era um deles. A gente só percebe quando a pressa, a necessidade de chegar a algum lugar, é nossa. Para ser sincero, cheguei a uma conclusão. Todo motorista é um mal-educado enrustido. No trânsito ele se revela. Diz muitas coisas e ouve o que não quer ouvir:
- Saia do meio seu imbecil! Vá aprender a dirigir, idiota!
 E você, seu barbeiro: tirou sua carteira com Regi Campelo?
Fom, fom, foooommmm!
Piiibiiippp! Biiippp!



 Escrito por Paulo Martins às 13h22
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